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01/08/2018 - 17h51
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Produtores protestam contra criação e ampliação de unidades de conservação no Pantanal

Fonte: Rose Domingues
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Foto: REPRODUÇÃO

Produtores rurais de Mato Grosso, ligados a diversas entidades de classe, entregaram nesta semana uma ‘carta manifesto’ ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A autarquia do Ministério do Meio Ambiente promoveu consultas públicas em Cáceres e Poconé para apresentar um projeto de criação e ampliação de 523.369 hectares em unidades de conservação do Pantanal Mato-grossense, dos quais mais de 50% estão em propriedades particulares.

Conforme o diretor da Associação dos Criadores de Nelore (ACNMT) e superintendente do Instituto Ação Verde, Vicente Falcão Filho, que também é ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, o processo desenvolvido pelo ICMBio está sendo conduzido de forma arbitrária, sem embasamento técnico e pretende inviabilizar a pecuária tradicional na região, o que será uma perda principalmente para a biodiversidade que tem sido mantida pelos produtores rurais.

“Hoje o turismo para observação de fauna silvestre, voltado à onça-pintada, já movimenta mais de 3 mil pessoas ao ano, e ele só ocorre porque o nosso pecuarista entende a importância da conservação ambiental e faz a manutenção do ecossistema para que as onças permaneçam na região. Com as desapropriações, toda uma cadeia produtiva e turística tende a desaparecer e a região ficará totalmente desassistida”, explica Vicente Falcão.

As consultas públicas foram realizadas nos dias 30 e 31 de julho, respectivamente, em Cáceres e Poconé e tiveram a participação em ambos municípios de cerca de 500 produtores rurais, lideranças do setor agropecuário, representantes da sociedade civil, do comércio e turismo, a maioria alega não ter sido convidada formalmente pelo ICMBio.

Falcão destaca como ‘absurdo’ no projeto do ICMBio a manutenção das sedes das fazendas nas áreas que poderão desapropriadas, ação que visa diminuir o valor das indenizações que devem ser superiores a R$ 5 bilhões. “Essas sedes vão virar o que, casa de campo ou de veraneio? Qualificamos o projeto do Ministério do Meio Ambiente como descabido, impositivo, confiscatório e que em nada contribui para o estado de Mato Grosso”.

O presidente do Sindicato Rural de Poconé, Arlindo Márcio de Moraes, 53 anos, nascido e criado no Pantanal há muitas gerações, lamenta não ter sido convidado para a reunião e alega que mesmo assim se organizou juntamente com os demais produtores para se manifestar contra e assinar a carta. “Temos mais de 1,2 mil propriedades na região e pelo menos 400 proprietários rurais, todos extremamente preocupados com essa iniciativa, gente que vive disso aqui e dedica a vida ao Pantanal”.

Entre as instituições que assinaram a carta manifesto estão: ACNMT, Famato, Sindicato Rural de Poconé e Cáceres, Acrimat, Câmara de Dirigente Lojistas (CDL), Irmandade do São Benedito e da Ordem dos Cavaleiros da Cavalhada, Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pantaneiro, Associação de Defesa do Pantanal (Adepan), Loja Maçônia Hiran Abif II e prefeituras municipais de Cáceres e Poconé.

Sobre o projeto

O ICMBIO apresentou a proposta de criação da Reserva de Fauna do Pantanal que ocupará 165 mil hectares entre a Estação Ecológica Taiamã e o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense; e a criação do Refúgio de Vida Silvestre da Onça-pintada que somará 270 mil hectares entre o mesmo parque e o Parque Estadual Encontro das Águas, incluindo a Reserva Particular do Patrimônio Natural Dorochê e propriedades privadas.

Para o Instituto, as áreas sugeridas são alagadas e improdutivas. No entanto, um estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) identificou que 57% dessas áreas são propriedades rurais e 30% têm aptidão regular para pastagem plantada, somando pouco mais de 281,8 mil hectares, e aptidão para silvicultura (287,9 mil hectares).

 

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