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10/06/2018 - 09h37
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A injusta distribuição tributária. Quem paga a conta?

Fonte: Caiubi Kuhn
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O Brasil está passando por uma crise institucional, política e econômica. Um cenário que pode fazer com que o país perca em pouco tempo, avanços conquistados em décadas. Precisamos construir saídas, e isso exigirá reformas e mudanças políticas.

Uma das maiores insatisfações do brasileiro são os altos impostos, e esse tema precisa ser debatido. O Brasil cobra uma carga tributária elevada, mas quem mais paga a conta? Se formos colocar na ponta do lápis, vamos observar que a maior parte da conta é paga por pessoas de baixa renda e da classe média. Além disso, essas fatias da população não contam com o apoio benevolente das isenções fiscais, nem tampouco com os grandes empréstimos com juros subsidiados. O Brasil dos ricos é um estado mais generoso que o Brasil das classes menos favorecidas.

É importante analisarmos quanto cada pessoa paga de imposto. A divisão da carga tributária deve ser justa e garantir para população mais pobre um poder de compra cada vez maior. Isso só será alcançado quando os impostos embutidos sobre os produtos básicos forem reduzidos. Essa é uma das medidas mais práticas para mudar a realidade tributária injusta que o Brasil possui.

A correção das alíquotas do imposto de renda é outra coisa que precisa ser feita com urgência. A atualização da tabela não ocorre na mesma velocidade com que a inflação corrói os salários do cidadão, o reflexo disso, é que cada dia mais, o brasileiro da classe média está pagando mais impostos, pois os salários aumentam para repor perdas inflacionarias e a tabela de imposto de renda continua estagnada.

Se por um lado, para fazer o ajuste fiscal é preciso reduzir impostos sobre a base da pirâmide social, também é preciso rever algumas políticas de incentivos, assim como, ampliar à tributação sobre os mais ricos. Segundo estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é considerado um paraíso tributário para os super-ricos, estou falando de cerca de 0,05% da população, aproximadamente 71 mil pessoas, que disfrutam de um estado generoso e benevolente.
Por fim, é preciso sim cortar privilégios como super salários e extravagâncias existentes nos três poderes, além de melhorar a eficiência do estado em todos os setores.

As mudanças nessas políticas podem criar as condições para a retomada do crescimento e dos investimentos que são fundamentais para melhorar a infraestrutura do nosso país. Agora para que essas mudanças ocorram, nas próximas eleições o brasileiro precisa pensar muito bem em quem votar para presidente, deputado federal e senador. Pois além de um bom governante, sem um congresso descente o Brasil não vai para frente.
Independentemente do tamanho, o estado tem um custo, não podemos aceitar que nós, a base da pirâmide, continuemos a pagar a maior parte da conta. Precisamos de uma divisão justa da carga tributária.

Caiubi Kuhn
Geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);
E-mail: caiubigeologia@hotmail.com
 

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