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11/05/2018 - 08h24
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Realidade ou ficção

Fonte: Rui Perdigão
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Mais uma eleição se aproxima num momento em que a esmagadora maioria dos cidadãos ambiciona mudanças efetivas na sociedade. Muitos lutam por uma política mais progressista, distributiva e inclusiva, na busca por um Brasil mais justo e equitativo. Outros defendem conservar algo mais seletivo e discriminatório que lhes permita alcançar o seu sonho de poder e riqueza. Nesse cenário, mais uma vez uma minoria de fãs do gênero de terror instiga o medo e quer ver exibidas ações espetaculares contra o diferente. Em segundo plano, assiste-se também a épicas performances de desespero em face de uma eminente saída da profissão com perca do foro privilegiado. E assim, cena após cena, vai-se formando a opinião sobre o desempenho de todos os intérpretes.

Para a próxima temporada, os principais papéis estão sendo preenchidos essencialmente por atores desprogramáticos. Essa narrativa cabe aos políticos “cabeça-de-santinho” que com recurso a efeitos especiais e a velhas técnicas teatrais do improviso, vão atuar na construção do personagem aventureiro sempre pronto para fazer frente ao desafio de construir uma realidade. E assim se irão apresentar como os candidatos mais que prováveis aos tão desejados prêmios. Aquelas elegantes e pesadas canetas.

Outro destaque no elenco são os atores secundários que protagonizam dois modelos característicos de representação. Um é interpretado pelas famosas lideranças que, normalmente detentoras de pífios desempenhos nas suas carreiras, revelam-se, porém importantes no desenrolar da história, em razão de assegurarem ao roteirista/marqueteiro a articulação de um enredo minimamente compreensível aos olhos de um público despreparado para tanto show. O outro modelo são os já célebres cabos eleitorais, os genuínos vilões da fita. Capazes dos maiores malabarismo em estúdio participam de diálogos extraordinários, chamando para si as falas que o autor não pode fazer. E dessa forma, afirmam a sua capacidade para captar o interesse dos espectadores mais ingênuos, ao ponto de conseguir levá-los às salas para bater palmas. No final da sessão todos os indicados serão anunciados nos respectivos créditos.

Interessante também registrar que com o advento das novas tecnologias, os figurantes têm vindo a modificar a sua participação. A simples agitação de bandeirinhas em exteriores passa agora a dar lugar há assinatura de curtos textos virtuais, responsáveis pelos momentos mais cômicos da exibição. E é com recurso a novos instrumentos que um grupo de principiantes se autodenomina de salvaguarda da moral e dos bons costumes da arte. Frustrados por só conseguirem ingressos para a última fila da plateia, estes pseudo-artistas digitam o quanto pior melhor, reeditando por sua vez o tenebroso inquisidor mor, sempre pronto para acender fogueiras, rasgar a constituição e envergonhar-se de ser brasileiro.

No entanto, uma nova legislação vem regulamentar a atividade, impondo a redução dos custos de produção e exigindo mais luz sobre eternos patrocinadores a cada dia mais preocupados com um fiasco de bilheteira. Mas “show must go on” e em breve, após as estreias nos congressos e com um novo guarda-roupa costurado, terá inicio a passagem dos trailers, por todo o estado de Mato Grosso.

Por essa altura, espera-se muito uma nova sonoridade estética que entusiasme os meios de informação a fazer um intervalo no seu compromisso publicitário com os super-heróis que tudo podem.
Com esta saga instalada na casa dos brasileiros urge colocar em cartaz produções independentes e públicos emergentes. Sendo também indispensável aplaudir de pé as honrosas exceções e lançar para a ribalta as novas gerações que seguramente saberão realizar um filme melhor.

Rui Perdigão – Administrador, consultor e presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso


 

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