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09/01/2018 - 09h02
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De JK e Pelé

Fonte: Eduardo Gomes de Andrade
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Pelas frestas das telhas entrava o clarão do farol do trem da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Na descida, abarrotado, rumo Sul, sua passagem fazia o assoalho de tábuas de peroba tremer; com o tremor meu berço balançava. No sentido inverso, vazio, passava despercebido durante o dia, pois não provocava o treme-treme nas casas; mas à noite, indiferente a isso, a claridade que iluminava seu caminho tomava conta da pequena Barra do Cuieté, de Conselheiro Pena, Minas, perto do Espírito Santo, e onde o atrevido rio Doce engole seu afluente Caratinga.

Do berço pra cama de menino e adolescente, sempre estive perto dos trilhos testemunhando o minério de ferro de Minas nos vagões da Companhia Vale do Rio Doce, agora Vale, seguindo para o Espírito Santo, sua parada final no Brasil, antes de ganhar o mundo.

Em 2016 a exportação brasileira desse minério alcançou 373,96 milhões de toneladas com faturamento de US$ 13,2 bi (FOB). Em Minas, o Quadrilátero Ferrífero (Itabira e adjacência) respondeu por 60% dessa dinheirama; e a maior parte dessa montanha mineral chegou ao porto em Vitória por essa ferrovia.

Minas, Estado mais politizado tem forte sindicalismo, principalmente na representação da cadeia mineral. Políticos e sindicalistas sabem da importância da exportação do minério e também da relevância do parque industrial (sídero-metalúrgico). De igual modo entendem que o volume explotado tem no mercado internacional sua principal destinação, pois a demanda interna é pequena. Mais: compreendem que os endinheirados compradores impõem regras que se não forem cumpridas levarão seus dólares para outros polos minerais.

Não é segredo para ninguém que o importador quer a matéria-prima para beneficiá-la em seu país visando a geração de empregos. É assim com o minério e também com a soja e as demais commodities primárias.

Acompanho manifestações de ditos experts e textos de ditos formadores de opinião brigando para que Mato Grosso esmague a soja e exporte seus produtos finais para a China, Holanda e outros países. Tal conduta ou resulta do desconhecimento ou é discurso para justificar bandeira de contestação.

Lamento o acomodamento das entidades representativas do agro e a omissão do governo estadual quanto ao questionamento do modelo exportador, que abre caminho para luta de classes e que nem Deus sabe até onde irá.

Espero que em 2018 a Famato, Aprosoja, AMPA, Fundação MT, Pedro Taques, Assembleia Legislativa e a bancada federal saiam da moita e defendam o modus operandi de nossa balança comercial, antes que a verdadeira conspiração em curso satanize a leguminosa de origem chinesa Glycine max que revolucionou a economia mato-grossense tanto quanto o minério de ferro fez na terra de Clara Nunes, Tiradentes, Santos Dumont, JK e Pelé.

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

eduardogomes.ega@gmail.com  

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